sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

E a crise continua gerando desinformação


Por: Mayra Feitosa

Me pergunto diariamente onde vamos parar. O mundo está quase entrando num colapso econômico. Ontem vi que a fábrica da Ford vai demitir mais de 1200 funcionários, e as ações da Sony fecharam em baixa, ou seja, os caras perderam dinheiro pra caramba dos investidores. A Ford, no desespero, tem uma propaganda nova. "Compre seu carro, divida em 36x, com zero de entrada e redução de IPI" Urru!! daqui a uns dias essas fábricas estarão distribuindo veículos pela metade do preço! É, galera, a coisa tá feia.

Já na Suiça, o país do chocolate, inverno frio e de pessoas com alto (e põe alto nisso) poder aquisitivo, parece que a coisa não apertou não. Chineses e turistas consumido absurdamente. Uma loira com carinha de boneca deu uma resposta ao repórter da TV Globo News que foi fantástica. Ele, ironicamente, perguntou se ela sabia que o mundo passava por uma crise econômica, e com cara de espanto ela responde " hã? crise econômica? ". Foi fantástico!

Não muito longe, uma amiga brasileira vai para os EUA fazer intercâmbio. Previsão de embarque é em Julho, e mesmo sabendo que o país tá quebrando o sonho de um universo norte-americano não lhe sai da mente. Lembro-me da novela América. Pergunto-me porque a maioria dos brasileiros ainda se iludem com os EUA? Caramba, é difícil entender que a economia por lá NÃO está bem????

A desinformação, ou a falta dela mexem (e muito) comigo. Deixam-me sem ar, tendo praticamente ataques epilépticos. Falar que a 'crise' não vai atingir o Brasil, como o presidente do BNDES falou ontem em rede nacional é muito fácil. Mas, basta ir ao Shopping D e ver o preço da Batata recheada. A mesma batata que em Março de 2007 custava R$ 6,00, hoje está à R$ 9,00. Podem ir lá conferir! E não vem me dizer que é a culpa é do solo que não está para batatas, faça-me o favor!

Obama não é esperança, mídia brasileira, de uma vez por todas, entendam isso! Ele só está lá tentando concertar a merda que o Bush fez, ou piorar de vez. Contra o Irã, por exemplo, a coisa vai continuar do mesmo jeito, com intervenção militar se não houver (e não haverá) acordos. Ferrou! caminharemos, enfim para o "Armagedon". Pelo amor de Deus, chega de rasgar seda para o presidente norte-americano e vamos focar no Brasil, a batata tá ficando cara!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Uma inquietação Latina


Assisti ao filme Diários de Motocicleta. A história de Ernesto Che Guevara e seu amigo Alberto Granado. Juntos descobriram uma América de belezas, mas com cicatrizes deixadas pelos colonizadores. Cicatrizes estas, que separam o são do doente de forma torpe. A produção cinematográfica de Walter Sales fez-me sentir um bebê aprendendo as primeiras palavras. Penso com meus botões: ela é mais complexa e rica do que imaginava.

O início dos meus estudos sobre a América Latina estão me deixando inquieta. Não consigo parar de pensar em nossa colonização, na civilização pobre que nos tornamos. Sim, pobres pela exploração européia e norte-americana, preciso deixar claro.


Ao ver como os espanhóis exploraram os Incas em busca de pratas americanas para fortalecer a coroa, que nem sequer sabia administrar tudo que recebia, vejo que o dinheiro sempre foi e será a 'raiz de todos os males'. Pouco importa as crenças e costumes quando falamos em bens materiais.

Um povo capaz de construir em Matchupithu uma arquitetura rica, bela e com características de uma sociedade primitiva, mas reduzida com pestes, doenças trazidas à navio para que uma "civilização" - se é que assim podemos chamar - fosse construída.

Penso: como seria a américa sem os europeus e sem a influência norte-americana? o mundo em que não existisse globalização e a miscigenação de culturas? As sociedades permaneceriam primitivas e não haveria avanços tecnológicos, bombas nucleares, doenças sexualmente transmissíveis, Aids e pestes. Mataríamos para comer, comeríamos para sobreviver. Nada de 'fast food', refrigerantes nem tortas maravilhosas que o Sr. Manoel vende a preços abusivos na 'padoca' da esquina. Viveríamos no Éden, e este, não seria um paraíso. Haveriam alguns conflitos étnicos e religiosos, brigas por territórios alheios.

Não é isso que realmente defendo, pois todos os problemas sociais que enfrentamos em nossa América Latina são reflexos de erros passados que deixaram buracos financeiros e culturais nestas sociedades. Somos desalojados de nosso próprio continente, e por incrível que pareça, conhecemos mais a cultura dos EUA do que a do Peru, nosso vizinho. Vergonhoso, não?


sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Cobertura Jornalística do Seqüestro da jovem Eloá Pimentel

Por: Mayra Feitosa
(foto: José Correia - O Globo)

Recentemente, o Brasil acompanhou ao vivo o seqüestro mais longo da história de São Paulo. A adolescente Eloá Pimentel (15 anos) teve morte cerebral provocada por um disparo do seu ex-namorado Lindemberg Alves, após invasão do GATE (Grupo de Ações Táticas Especiais) ao cativeiro em que era mantida refém na região de Santo André, ABC Paulista.
Desde as primeiras horas, sob a ação do bandido, os meios de comunicação de massa fizeram a cobertura jornalística do caso. Repórteres e apresentadores de tv como Ana Hickmann e Sônia Abrão conversaram com o seqüestrador e as vítimas.
As súplicas para liberar as reféns Nayara e Eloá interferiram no trabalho da Polícia e deram credibilidade ao caso. Rede Globo, Record, Rede TV e Band, destacam-se ao sensacionalismo e desconforto causado ao repetir as informações nos telejornais e programas televisivos. Antes de completar às 100 horas do seqüestro, as emissoras (sem a confirmação de laudos médicos) taxaram Alves de psicopata frio e calculista e para comprovar suas teses, fizeram com que psicólogos e psiquiatras participassem dos debates "jornalísticos". O Jornal Hoje, exibido pela Rede Globo fez uma Reportagem Especial, ensinando aos pais como orientar os namoros dos filhos.
Um caso inusitado, crime passional e em região periférica da grande São Paulo, ganha destaque na mídia. A Teoria do Jornalismo explica este fenômeno utilizando critérios de noticiabilidade, argumentados por pesquisadores que fomentaram a “Teoria do Newsmaking e Organizacional”. Ambas as teorias explicam que o jornalismo é feito de forma industrial, produtiva e segmentada. O principal objetivo da empresa de comunicação é vender. Como toda organização com fins lucrativos, normas e divisões de tarefas existem, e na escolha entre a Ética e capital de giro, prevalece é claro, o que trás retornos imediatos.
O tempo real causado pela TV faz com que o público goste de se manter informado (ou bombardeado), todavia, não há relevância em muitas informações, uma vez que assuntos como o caso Eloá não são de interesse público. Há um público que busca de forma abusiva as fofocas midiáticas e é para esta classe que o Jornalismo feito por muitos veículos ganha audiência. No mesmo período, o mundo passava por uma crise econômica, e alguns países foram seriamente atingidos por causa dos problemas com o crédito imobiliário dos EUA, mas, passar informações sobre a crise era irrelevante para a população que queria apenas acompanhar o crime como acompanha a telenovela das 20h. O objetivo, obviamente, era comentar com os vizinhos, parentes e amigos a gravidade do problema, assim como comentam quando os mocinhos se beijam, ou a vilã faz algo terrível contra sua inimiga (a protagonista).
Os picos de audiência das emissoras ficam de vento em poupa quando crimes horrendos, como o de Isabella e João Helio e Eloá, acontecem. Não importa se a emissora tem linguagem popular ou séria, se seu telejornal é exibido às 6h ou às 00h, o que realmente é válido nesse processo industrial é que a notícia vende e o “peixe” é comprado.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

George Orwell fala sobre os conflitos do século XX em sua obra 1984

Por: Mayra Feitosa
O século XX, sem dúvidas, foi o mais violento da história mundial. Marcado por conflitos bélicos que dominaram regiões pobres e avassalaram sociedades, fazendo muitas evaporar como a água fervente em uma chaleira. A América Latina, vítima e aliada aos EUA, neste período entra para a história por aderir o poder ditatorial e levar uma ideologia à sociedade.
Igualdade social, reforma agrária e distribuição de renda davam movimento ao motor da ditadura nos países latinos. Cuba, por exemplo, com a chegada de Fidel Castro ao poder teve um avanço significativo em algumas áreas como a educação básica e a formação em medicina. Todavia, fechando mercados para a importação, o país comprou uma briga com os Americanos, que não queria perder o pobre país do "3º mundo" para a extinta União Soviética.
Para George Orwell, a sociedade do século passado era um retrato fiel do mundo em que vivia e até seus pensamentos eram controlados pelo Estado, proprietário até da opinião pública por meio da repressão. O período de Guerra Fria contribuiu com o avanço da ciência e tecnologia para fins bélicos e a "ciência do mal" era aplicada a elaborar armamentos e objetos de tortura. Em sua obra, Orwell conta como era viver em um país europeu antes do final da guerra ideológica, por meio do seu personagem principal, Winston.
A controladora ditadura tinha o poder de fomentar atitudes dos indivíduos e julgá-los como contrários ou favoráveis à situação do país. Se contrários, eram submetidos às penas máximas: tortura seguida de morte. Portanto, ao entrar na história e analisar as atitudes da sociedade da época, é notável que o único medo presente entre os socialistas era a traição ao poder e desejar o capitalismo como sistema dominante. Se um ser humano tivesse tal atitude, sua maior virtude seria conquistar a morte, único benefício que era digno.
A Inglaterra é o cenário do livro e neste país a idolatria ao "Grande Irmão" (como era conhecido o chefe do governo britânico) era sinal de lealdade e gratidão aos serviços prestados pelo governo. A invenção de um novo idioma, a novilíngua, tinha a finalidade de proibir palavras de duplo sentido que ferissem às políticas atuais, como é o caso de Livre e Liberdade. Para não associar os termos ao sistema (o que era uma afronta) quem pronunciasse tais expressões eram presos e vaporizados e nunca mais a sociedade ouviria falar do indivíduo. O mundo retratado por 1984 mostra a crueldade do século XX, e faz o leitor refletir sobre o rumo que o século atual. Se no século passado a luta pela liberdade de expressão e escolha era constante, atualmente, há uma banalização e falta de respeito com lutas anteriores.

domingo, 9 de março de 2008

Ser criança, uma utopia

Lembrei de um fato marcante. Certa vez estava numa loja do Shopping, e uma criança insistia desesperadamente para o pai comprar um cinto da bárbie. O pai quieto, observou aquela cena, e depois de muita insistência da menina, deu-lhe uma bronca. Ao reviver essa cena, meus pensamentos voam para as crianças que vivem no lixão, localizado na cidade de Arapiraca-AL.

E a situação lá é lamentável. As crianças não tem bárbie, carrinho, não vestem a última moda e muitas vezes não tem nem o que comer. E o que elas sinceramente almejam, sem esperniar, é poder viver como criança.

Para decodificar o que se passa na mente dessas crianças não é necessário uma linguagem técnica , científica. Basta saber decifrar o olhar encubido de sonhos. É banalidade para muitos ser uma princesa, mas para esta criança vestida com um saco de lixo, e coroada por um pedaço de papel é uma utopia.
Não é fácil encarar uma situação como esta sem se indignar. O que é mais difícil é saber que nada será feito para mudar esta imagem, e que a tendência é continuar tudo do jeito que está. Nos perguntamos, será que neste Brasil alguma autoridade é capaz de mudar esta situação?

Eu acho que não.
Por: Mayra Feitosa